Você acredita em Deus? e em justiça divina? em coincidência?
O fato é que está "na boca do povo" o sucesso da campanha política do candidato e humorista Tiririca. Vestindo o figurino de sempre e com a peculiar fala inocente, o personagem ganha espaço nas discussões políticas brasileiras.
Tenho ouvido muita gente inconformada com a candidatura de Tiririca. Para estas pessoas, eu digo que ele exerce um direito democrático e cabe a nós escolhermos se ele vai ou não representar o Estado mais rico do país no Congresso.
Mas eu não quero discutir esse viés político. Me interessa o lado midiático. Quem está transformando Tiririca em celebridade eleitoral, ou como dizem alguns, em espetáculo? a TV? o rádio? os jornalistas? Nada disso. Nós mesmos estamos levando os índices de popularidade do figuraça para níveis preocupantes. No twitter, nas salas de aula, no futebol de domingo, no bar, Tiririca é a pauta no espaço público físico e virtual.
Mas não é necessário se preocupar tanto. Sendo um pouco supersticioso, basta lembrar que nas duas últimas eleições para Deputado (2002 e 2006) ganharam na ordem Enéias e Clodovil...o que aconteceu com ambos? MORRERAM!!!
Tiririca que abra os olhos...
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
ACADEMIA vs. ACADEMIA
Este blog sem chão, em parceria com o colega flamenguista e twitteiro @rmarotta, tem o prazer de anunciar a mais nova novela em 140 caracteres do twitter:
Academia x Academia, a série em 140 caracteres que cheira giz e puxa ferro.
Vocês podem acompanhar os capítulos pelo twitter, mas este blog se reserva ao direito de publicar o "Capítulo 0" da série:
Fade in
Durante a avaliação física, o indivíduo pedala sem sair do lugar em uma bicicleta ergométrica. Suado e tentando não perder o ritmo das pedaladas, ele puxa assunto com o avaliador:
- Aí, como eu gosto de estudar e estava de saco cheio do mercado publicitário, eu resolvi jogar tudo para o alto e entrar na academia, que é o que eu gosto realmente...quer dizer, não esta academia, aquela outra...Digo, eu gosto desta academia também, claro...ahn, você entendeu!
Porque, afinal, mente insana, corpo insano...
Academia x Academia, a série em 140 caracteres que cheira giz e puxa ferro.
Vocês podem acompanhar os capítulos pelo twitter, mas este blog se reserva ao direito de publicar o "Capítulo 0" da série:
Fade in
Durante a avaliação física, o indivíduo pedala sem sair do lugar em uma bicicleta ergométrica. Suado e tentando não perder o ritmo das pedaladas, ele puxa assunto com o avaliador:
- Aí, como eu gosto de estudar e estava de saco cheio do mercado publicitário, eu resolvi jogar tudo para o alto e entrar na academia, que é o que eu gosto realmente...quer dizer, não esta academia, aquela outra...Digo, eu gosto desta academia também, claro...ahn, você entendeu!
Porque, afinal, mente insana, corpo insano...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
COTIDIANO SEM CHÃO (PARTE 4)
Dia desses na Rua Augusta, em São Paulo.
Uma dupla de cientistas tomava chocolate quente e comia pão de queijo numa lanchonetezinha.
No meio da discussão sobre a dicotomia dos rumos da catilogência, adentra no estabelecimento uma menina de mais ou menos 10 anos de idade trazendo na mão uma caixa cheia de panos de prato.
- Moço, o senhor não quer comprar um pano? 5 reais
- Não, querida... (toma a dianteira da conversa um dos cientistas)
Ainda ressentido com a cena da criança oferecendo o pano aos outros clientes, o cientista chama novamente a pequena.
- Me dá um.
- Se o senhor levar 3, são 10 reais só.
- Não, obrigado. Uma só me resolve.
O cientista dá o dinheiro, 10 reais, e recebe 5 de troco.
- Obrigada, senhor. Deus te abençoe.
- Deus não existe, meu anjo...
Fecha a cortina. Fim do 1o ato.
Uma dupla de cientistas tomava chocolate quente e comia pão de queijo numa lanchonetezinha.
No meio da discussão sobre a dicotomia dos rumos da catilogência, adentra no estabelecimento uma menina de mais ou menos 10 anos de idade trazendo na mão uma caixa cheia de panos de prato.
- Moço, o senhor não quer comprar um pano? 5 reais
- Não, querida... (toma a dianteira da conversa um dos cientistas)
Ainda ressentido com a cena da criança oferecendo o pano aos outros clientes, o cientista chama novamente a pequena.
- Me dá um.
- Se o senhor levar 3, são 10 reais só.
- Não, obrigado. Uma só me resolve.
O cientista dá o dinheiro, 10 reais, e recebe 5 de troco.
- Obrigada, senhor. Deus te abençoe.
- Deus não existe, meu anjo...
Fecha a cortina. Fim do 1o ato.
sábado, 7 de agosto de 2010
ÀS MARGENS DA FESTA
Domingo quente, apesar de um fim de tarde de inverno no Rio de Janeiro. Acasos da vida levaram dois cariocas, um flamenguista e outro vascaíno, a assistirem o “clássico dos milhões” no Maracanã. Talvez o último antes do fechamento do ex-Maior do Mundo.
Caminhando nos arredores do estádio, logo ao lado do campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a dupla ruma em direção a um dos portões de entrada. Antes de cruzar a avenida, a polícia fazia o bloqueio das bebidas alcoólicas: aqueles que portavam latinhas, garrafas, ou copos com cerveja deveriam deixá-las ali mesmo antes de seguirem o caminho. Na frente da barreira policial estava Tiago mostrando rapidez e destreza ao colher as latinhas arremessadas no chão e as guardando em três grandes sacos plásticos. A dupla de torcedores terminava suas latinhas:
“Taí” amigo, pega a latinha aí.
(o rapaz, antes de jogar as latinhas no saco, as amassou com os pés)
Os sacos estão cheios hoje, hein?
É, hoje vai ter bastante latinha.
Sorte sua que a polícia não deixa os caras entrarem com cerveja. Diz aí, quanto tu vai conseguir com tudo isso de lata?
Ah, cara...uns 12, 13 reais.
Você tá brincando? Só isso? Porra cara, e compensa essa correria toda?
Tem que ser, né? Às vezes eu fico 2, 3 dias sem comer...
E tu mora aonde?
Aqui mesmo na rua. Eu durmo sozinho, não gosto de ficar com os outros caras não. Eles te batem e as pessoas te confundem com bandido. Eu não sou bandido não.
A polícia já te pegou?
Já sim. Os caras me revistaram e me deixaram ir.
Tu não é daqui não, né? De onde tu vem?
Sou baiano lá de Porto Seguro. Estou aqui há 3 meses só.
Porto Seguro? E o que você tá fazendo aqui, cara? Porra, aquele lugar lindo...
Eu sei, mas como eu vou voltar? Eu perdi meus documentos. Estou preso aqui. Aqui é muito difícil, mas lá é ruim também.
Qual é teu nome?
Tiago.
Tu tá doidão, tá não Tiago?
Que é isso, doutor. Eu não uso essas coisas não.
É isso aí, está certo mesmo. Boa sorte aí Tiago.
Valeu amigos, bom jogo pra vocês.
...é Tiago, o jogo foi uma merda...
Caminhando nos arredores do estádio, logo ao lado do campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a dupla ruma em direção a um dos portões de entrada. Antes de cruzar a avenida, a polícia fazia o bloqueio das bebidas alcoólicas: aqueles que portavam latinhas, garrafas, ou copos com cerveja deveriam deixá-las ali mesmo antes de seguirem o caminho. Na frente da barreira policial estava Tiago mostrando rapidez e destreza ao colher as latinhas arremessadas no chão e as guardando em três grandes sacos plásticos. A dupla de torcedores terminava suas latinhas:
“Taí” amigo, pega a latinha aí.
(o rapaz, antes de jogar as latinhas no saco, as amassou com os pés)
Os sacos estão cheios hoje, hein?
É, hoje vai ter bastante latinha.
Sorte sua que a polícia não deixa os caras entrarem com cerveja. Diz aí, quanto tu vai conseguir com tudo isso de lata?
Ah, cara...uns 12, 13 reais.
Você tá brincando? Só isso? Porra cara, e compensa essa correria toda?
Tem que ser, né? Às vezes eu fico 2, 3 dias sem comer...
E tu mora aonde?
Aqui mesmo na rua. Eu durmo sozinho, não gosto de ficar com os outros caras não. Eles te batem e as pessoas te confundem com bandido. Eu não sou bandido não.
A polícia já te pegou?
Já sim. Os caras me revistaram e me deixaram ir.
Tu não é daqui não, né? De onde tu vem?
Sou baiano lá de Porto Seguro. Estou aqui há 3 meses só.
Porto Seguro? E o que você tá fazendo aqui, cara? Porra, aquele lugar lindo...
Eu sei, mas como eu vou voltar? Eu perdi meus documentos. Estou preso aqui. Aqui é muito difícil, mas lá é ruim também.
Qual é teu nome?
Tiago.
Tu tá doidão, tá não Tiago?
Que é isso, doutor. Eu não uso essas coisas não.
É isso aí, está certo mesmo. Boa sorte aí Tiago.
Valeu amigos, bom jogo pra vocês.
...é Tiago, o jogo foi uma merda...
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