Apesar dos problemas da vida, não posso negar que já tive o privilégio de, como muitos de nós, viver e experimentar coisas bacanas. Acho importante valorizar e reconhecer isso.
Contudo, por vezes parece que algo muito rico escorre por nossos dedos, ou passa incólume por nossos olhos, como queiram. Eu digo que vivi isso pelo menos duas vezes de forma consciente.
A primeira foi no fim de 2008 em Londres (chique né) numa manhã fria dentro do British Museum (culto né?) no augusto salão de Antropologia. Um sem número de livros e artefatos de várias regiões do mundo. Seria um mergulho fascinante na história dos estudos antropológicos. Seria, se eu estivesse preparado para entender boa parte daquilo. Saí frustrado, mas com a promessa de voltar um dia para prestigiar apenas aquela seção.
A segunda, na verdade ainda me passa na frente dos olhos e não sei como lidar. Explico:
No meu prédio mora W., de aproximadamente 40 anos de idade. Portador de uma deficiência mental, W. passa boa parte do dia no hall de entrada do prédio pregando malefícios dos maus hábitos, os perigos das forças da natureza e o problema da morte iminente. Eu tenho certeza que seria fantástico tentar interagir de forma mais atenta com W., mas essa oportunidade ainda não chegou...até lá eu vou vendo a riqueza da comunicação e da loucura passando na frente do meu nariz...
quarta-feira, 31 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
MENSAGEM DE PÁSCOA
A Páscoa, algo religiosamente sem chão, está chegando e o canal à cabo TCM resolveu passar o musical (cult, por que não?) Jesus Christ Superstar, de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber.
Uma ópera-rock, o musical conta as principais passagens da história de Jesus, o herói do mês de abril. Eu realmente recomendo, pois as músicas são fantásticas e Judas aparece como um personagem fascinante.
Nosso pobre Judas é a “voz da razão” no meio da festa do messias. E o mais interessante no musical é que Judas faz questionamentos absolutamente pertinentes.
Exemplos?
Judas:
"Every time I look at you I don't understand
Why you let the things you did get so out of hand
You'd have managed better if you'd had it planned
Now why'd you choose such a backward time and such a strange land?
If you'd come today would have reached a whole nation
Israel in 4 B.C. had no mass communication".
O que teria sido do Salvador em tempos de mass media???
Com essas singelas palavras eu desejo FELIZ PÁSCOA A TODOS!!!
Uma ópera-rock, o musical conta as principais passagens da história de Jesus, o herói do mês de abril. Eu realmente recomendo, pois as músicas são fantásticas e Judas aparece como um personagem fascinante.
Nosso pobre Judas é a “voz da razão” no meio da festa do messias. E o mais interessante no musical é que Judas faz questionamentos absolutamente pertinentes.
Exemplos?
Judas:
"Every time I look at you I don't understand
Why you let the things you did get so out of hand
You'd have managed better if you'd had it planned
Now why'd you choose such a backward time and such a strange land?
If you'd come today would have reached a whole nation
Israel in 4 B.C. had no mass communication".
O que teria sido do Salvador em tempos de mass media???
Com essas singelas palavras eu desejo FELIZ PÁSCOA A TODOS!!!
sexta-feira, 26 de março de 2010
A CURTA VIDA DO SÍMBOLO

A imagem é de Rodrigo Coca/Foto Arena.
Além da beleza da foto, não pude deixar de relacionar tão forte imagem aos pensadores do que chamamos de Semiótica da Cultura (quem quiser saber mais, visite o site www.cisc.org.br). Um dos livros lançados pelo grupo se chama "Os símbolos vivem mais que os homens".
Não me cabe explicar aqui as idéias do grupo, mas me contento em dizer que, em linhas muito gerais, podemos pensar que existe uma realidade física, do corpo, que adoece, que necessita de reposição energética. E uma outra realidade simbólica, que construímos basicamente para podermos viver minimamente com a realidade física. Sim, ela é cruel. Ela diz que o que é corpo um dia vai acabar. É isso mesmo, você vai morrer. A partir daí construímos tudo o que temos ao nosso redor. Imagens. E dela nos alimentamos num afã de esquecimento de nossa própria morte.
Pois bem, lendo na internet sobre as manifestações de professores de São Paulo em "confronto" com a Polícia Militar, percebemos alguns dos símbolos que tecemos há tempos. Afinal, pra que serve a polícia. Pra que serve um professor? Pra que serve um jornalista? Entre outras coisas, para que os símbolos vivam mais que nossos corpos.
Essa imagem mostra um exato momento em que o que é simbolo não importa mais. Não é o professor que carrega a policial, não é o jaleco carregando a farda. São dois corpos brigando pela vida. Pela realidade física. E o homem tentando viver um pouco mais, apesar de seus símbolos.
QUANTO VALE UM CONSELHO?
Se meter na vida dos outros é algo demasiadamente sem chão. Acontece que há certos momentos em que somos incentivados a cometer tal crime. E aí quem consegue se segurar? Como diria o outro, imagine um coelho que tome a espingarda do caçador, atire na própria cabeça e caia no colo de um perplexo predador.
Ocorre algo parecido quando nos pedem conselhos. É a carta branca para invadirmos a vida alheia e para semearmos a discórdia. Afinal, onde houver fé que eu leve a dúvida.
O interessante é que, a cada conselho que damos, parece que tentamos resolver nossos próprios problemas. A minha impressão é que matamos nos outros nossos fantasmas. Se um amigo pede sua opinião sobre com qual das duas mulheres ele deve ficar, você prontamente sugere que ele fique com as duas. Ora, afinal é a atitude que você tomaria, claro. Se aquela garota não sabe se termina o namoro ou não, a primeira vontade é dizer sim. Oba, mais uma solteira na balada. E o melhor, está carente.
Parece que brincamos de escritor. Criamos os personagens, pensamos na trama e somos inconsequentes com relação ao desfecho. Afinal, sabemos que não vamos sofrer com a dor do personagem. Não importa o quanto a gente goste de alguém. A dor do seu amigo é a dor do seu amigo. Mesmo que você sofra com isso, a dor é sua. É diferente.
Fica aqui o convite para a reflexão. Quando damos conselhos, com o que nos preocupamos? Com o problema do amigo? Com a felicidade do amigo? Com nossos próprios problemas?
E você? Quantas novelas já escreveu?
Ocorre algo parecido quando nos pedem conselhos. É a carta branca para invadirmos a vida alheia e para semearmos a discórdia. Afinal, onde houver fé que eu leve a dúvida.
O interessante é que, a cada conselho que damos, parece que tentamos resolver nossos próprios problemas. A minha impressão é que matamos nos outros nossos fantasmas. Se um amigo pede sua opinião sobre com qual das duas mulheres ele deve ficar, você prontamente sugere que ele fique com as duas. Ora, afinal é a atitude que você tomaria, claro. Se aquela garota não sabe se termina o namoro ou não, a primeira vontade é dizer sim. Oba, mais uma solteira na balada. E o melhor, está carente.
Parece que brincamos de escritor. Criamos os personagens, pensamos na trama e somos inconsequentes com relação ao desfecho. Afinal, sabemos que não vamos sofrer com a dor do personagem. Não importa o quanto a gente goste de alguém. A dor do seu amigo é a dor do seu amigo. Mesmo que você sofra com isso, a dor é sua. É diferente.
Fica aqui o convite para a reflexão. Quando damos conselhos, com o que nos preocupamos? Com o problema do amigo? Com a felicidade do amigo? Com nossos próprios problemas?
E você? Quantas novelas já escreveu?
COTIDIANO SEM CHÃO
Na padaria:
- Boa tarde, vai querer o que?
- Vocês têm pão diet?
"pausa para fazer cara de dúvida"
- Você quer dizer "pão integral"?
- Não, não. Pão diet. Aquele sem açúcar.
"é a vez desse que vos fala fazer cara de dúvida"
- Não senhor, não temos pão diet.
- Então me vê uma empada de palmito e aquele croquete ali.
É, não podemos dizer que ele não tentou...
- Boa tarde, vai querer o que?
- Vocês têm pão diet?
"pausa para fazer cara de dúvida"
- Você quer dizer "pão integral"?
- Não, não. Pão diet. Aquele sem açúcar.
"é a vez desse que vos fala fazer cara de dúvida"
- Não senhor, não temos pão diet.
- Então me vê uma empada de palmito e aquele croquete ali.
É, não podemos dizer que ele não tentou...
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