sexta-feira, 26 de março de 2010

A CURTA VIDA DO SÍMBOLO



A imagem é de Rodrigo Coca/Foto Arena.

Além da beleza da foto, não pude deixar de relacionar tão forte imagem aos pensadores do que chamamos de Semiótica da Cultura (quem quiser saber mais, visite o site www.cisc.org.br). Um dos livros lançados pelo grupo se chama "Os símbolos vivem mais que os homens".

Não me cabe explicar aqui as idéias do grupo, mas me contento em dizer que, em linhas muito gerais, podemos pensar que existe uma realidade física, do corpo, que adoece, que necessita de reposição energética. E uma outra realidade simbólica, que construímos basicamente para podermos viver minimamente com a realidade física. Sim, ela é cruel. Ela diz que o que é corpo um dia vai acabar. É isso mesmo, você vai morrer. A partir daí construímos tudo o que temos ao nosso redor. Imagens. E dela nos alimentamos num afã de esquecimento de nossa própria morte.

Pois bem, lendo na internet sobre as manifestações de professores de São Paulo em "confronto" com a Polícia Militar, percebemos alguns dos símbolos que tecemos há tempos. Afinal, pra que serve a polícia. Pra que serve um professor? Pra que serve um jornalista? Entre outras coisas, para que os símbolos vivam mais que nossos corpos.

Essa imagem mostra um exato momento em que o que é simbolo não importa mais. Não é o professor que carrega a policial, não é o jaleco carregando a farda. São dois corpos brigando pela vida. Pela realidade física. E o homem tentando viver um pouco mais, apesar de seus símbolos.

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