As últimas rodadas do Campeonato Brasileiro desse ano foram muito singulares em diversos aspectos. Um deles foi a execração pública de alguns matemáticos que, a pedido de canais de jornalismo esportivo (ou entretenimento, depende do ponto-de-vista), fizeram projeções sobre as chances de cada time na reta final. Essas projeções, baseadas em cálculos estatísticos, serviriam apenas de reforço racional para as considerações “estudadas” dos comentaristas esportivos (ou de entretenimento....ah, vocês entenderam).
O problema é que entrou em campo um elemento acima da “frieza” das contas e do raciocínio lógico: como qualquer outro estudo estatístico, essas projeções tinham margens de erros, ou caso contrário não seriam apenas PROJEÇÕES.
Resultado, o Fluminense, que tinha 98% de chances de cair, após uma arrancada cinematográfica, livrou-se na última rodada de forma dramática. Os tricolores bateram na raça os adversários (ok), a sabida imprensa esportiva (ok), e os malditos matemáticos, que davam como certo o rebaixamento (peraê!!! eles não disseram isso. 98% dá ainda 2% de salvamento, certo? Não no futebol).
Acontece que tais esforços matemáticos foram despejados em um caldeirão cultural como é o ambiente do futebol, que é um jogo (ludus) e, como tal, tem seus códigos culturais e seu tempo bem diferentes dos da “vida ordinária”. E, através do jogo, tecemos cultura, ligamos as pessoas, construímos parte da sociedade. Ganhamos na raça, no sangue e no suor. Viramos o jogo. Somos um bando de loucos. E aqui a matemática não tem vez.
É como se déssemos uma banana para o Iluminismo e disséssemos “às favas com a racionalidade, aqui é coração na ponta da chuteira. Quem são vocês, matemáticos, para rebaixar meu time e cantar “derrota” antes do tempo?”.
Estamos diante de um conflito razão/emoção, mas que poderia muito bem ser um diálogo entre eles. No jogo, ou fora dele, estamos ainda aprendendo a abraçar a emoção e a razão, aprendendo a viver como seres naturais e sensíveis. Como diria Edgar Morin, buscamos nosso Homo Sapiens Demens. Mas por enquanto...matemáticos, não saiam de casa desprotegidos!!!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
TEORIA E PRÁTICA
Pergunta:
Fechamos as portas da academia para o mundo, bem entendido, o “mercado”? Ou fazemos da própria academia um produto vencedor?
Se fechamos as portas tentamos resguardar a pureza da pesquisa acadêmica e manter imaculado o espaço da construção do conhecimento.
Se abrimos as portas corremos o risco de perder a objetividade acadêmica para os interesses pessoais. Mas por outro lado, damos a oportunidade de formar profissionais prontos para o mercado.
Mas a quem estamos enganando? Os interesses pessoais estão por toda a parte. A academia é um negócio. Não adianta fechar as portas da academia, pois o negócio se faz lá dentro. Expande-se de dentro pra fora.
Então abrimos as portas e pronto? Formamos vencedores ou construímos conhecimento? Será possível fazer ambos?
O que já é possível observar à respeito:
“Aqui você aprende fazendo”
“Se você pensar bem (teoria), você faz Uni...(prática)”
“A teoria na prática é outra”
E assim o negócio da academia segue seu rumo.
Eu sugiro que pensemos a questão a partir de um ponto de vista (teoria) bastante prático:
São pessoas ordinárias, com problemas ordinários, que estão aprendendo, produzindo e ensinando na academia. Nas Ciências Sociais, buscam-se cada vez mais os elementos de subjetividade nas organizações e atividades humanas. Tentamos entender porque somos assim: loucos, mentirosos, gananciosos, estúpidos, traidores, românticos, generosos, supersticiosos, passionais. E como olhar para nós mesmos na tentativa de entender tudo isso? O trabalho é árduo. Muitos dizem que é impossível olharmos para nós mesmos mantendo o mínimo de objetividade científica. Faça você seu próprio julgamento. O fato é que, mesmo aqueles que singram por mares acadêmicos estão sujeitos às tormentas mundanas. É subjetividade em sua legítima expressão.
Quando estudamos a vida, praticamos a vida. Quando vivemos a vida, muitas vezes não olhamos pra ela. Não praticamos teoria. Aprendemos na prática. Construímos um número de relações, vivemos delas, mas não perdemos tempo pensando nelas. Gritamos, buzinamos, vencemos, mas não desfrutamos dos louros da compreensão. Quando teorizamos compreensão, não praticamos compreensão. Corremos. Continuamos a aprender fazendo. Vivemos de interesses porque somos assim. Ou não?
Vale a pena parar e pensar um pouco? PRATIQUE TEORIA!!!
Fechamos as portas da academia para o mundo, bem entendido, o “mercado”? Ou fazemos da própria academia um produto vencedor?
Se fechamos as portas tentamos resguardar a pureza da pesquisa acadêmica e manter imaculado o espaço da construção do conhecimento.
Se abrimos as portas corremos o risco de perder a objetividade acadêmica para os interesses pessoais. Mas por outro lado, damos a oportunidade de formar profissionais prontos para o mercado.
Mas a quem estamos enganando? Os interesses pessoais estão por toda a parte. A academia é um negócio. Não adianta fechar as portas da academia, pois o negócio se faz lá dentro. Expande-se de dentro pra fora.
Então abrimos as portas e pronto? Formamos vencedores ou construímos conhecimento? Será possível fazer ambos?
O que já é possível observar à respeito:
“Aqui você aprende fazendo”
“Se você pensar bem (teoria), você faz Uni...(prática)”
“A teoria na prática é outra”
E assim o negócio da academia segue seu rumo.
Eu sugiro que pensemos a questão a partir de um ponto de vista (teoria) bastante prático:
São pessoas ordinárias, com problemas ordinários, que estão aprendendo, produzindo e ensinando na academia. Nas Ciências Sociais, buscam-se cada vez mais os elementos de subjetividade nas organizações e atividades humanas. Tentamos entender porque somos assim: loucos, mentirosos, gananciosos, estúpidos, traidores, românticos, generosos, supersticiosos, passionais. E como olhar para nós mesmos na tentativa de entender tudo isso? O trabalho é árduo. Muitos dizem que é impossível olharmos para nós mesmos mantendo o mínimo de objetividade científica. Faça você seu próprio julgamento. O fato é que, mesmo aqueles que singram por mares acadêmicos estão sujeitos às tormentas mundanas. É subjetividade em sua legítima expressão.
Quando estudamos a vida, praticamos a vida. Quando vivemos a vida, muitas vezes não olhamos pra ela. Não praticamos teoria. Aprendemos na prática. Construímos um número de relações, vivemos delas, mas não perdemos tempo pensando nelas. Gritamos, buzinamos, vencemos, mas não desfrutamos dos louros da compreensão. Quando teorizamos compreensão, não praticamos compreensão. Corremos. Continuamos a aprender fazendo. Vivemos de interesses porque somos assim. Ou não?
Vale a pena parar e pensar um pouco? PRATIQUE TEORIA!!!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
DETALHES
Pois bem. Proponho aqui uma reflexão. O que Roberto Carlos pode trazer de contribuição afetiva e vinculadora nesse mundo veloz de emepetrês, quatro, cinco?
Foi numa manhã de domingo, dia 6 de dezembro de 2009, me encontrava estirado no sofá do apartamento de minha irmã em Botafogo. Ao lado o novo mandatário da casa, o pequeno JM, que chegou fazendo pirraça, mas agora encontra-se na mais pura serenidade de um lar feliz.
Feliz de um pequeno príncipe que tem ao seu lado pais que valorizam o vínculo, comungando com o recém-chegado através dos cinco sentidos. É vivência corporal. Almas que dialogam através do corpo.
Tá legal, mas o que tem Roberto Carlos a ver com isso? Eu explico. Na verdade, eu faço uma confissão. Foi um trabalho árduo me manter augusto diante da cena do pai, ninando a criança ao som de RC. Brega? Não creio. Ali o pai contava uma história, enchia a sala de palavras, abraçava a criança através da música. Mais do que simples relaxamento, a música colocava as almas para conversar. E a minha naquele momento só queria chorar. Mas fui forte...até o gol do Angelim no Maracanã naquele mesmo dia, mas isso fica pra uma outra ocasião...
Nessa vida de emepenúmeros, é muito fácil deixar escapar um momento de puro vínculo como esse, perdido no éter dos sons do progresso. Detalhes tão pequenos de todos nós, que naquele momento foi algo muito grande pra esquecer.
Foi numa manhã de domingo, dia 6 de dezembro de 2009, me encontrava estirado no sofá do apartamento de minha irmã em Botafogo. Ao lado o novo mandatário da casa, o pequeno JM, que chegou fazendo pirraça, mas agora encontra-se na mais pura serenidade de um lar feliz.
Feliz de um pequeno príncipe que tem ao seu lado pais que valorizam o vínculo, comungando com o recém-chegado através dos cinco sentidos. É vivência corporal. Almas que dialogam através do corpo.
Tá legal, mas o que tem Roberto Carlos a ver com isso? Eu explico. Na verdade, eu faço uma confissão. Foi um trabalho árduo me manter augusto diante da cena do pai, ninando a criança ao som de RC. Brega? Não creio. Ali o pai contava uma história, enchia a sala de palavras, abraçava a criança através da música. Mais do que simples relaxamento, a música colocava as almas para conversar. E a minha naquele momento só queria chorar. Mas fui forte...até o gol do Angelim no Maracanã naquele mesmo dia, mas isso fica pra uma outra ocasião...
Nessa vida de emepenúmeros, é muito fácil deixar escapar um momento de puro vínculo como esse, perdido no éter dos sons do progresso. Detalhes tão pequenos de todos nós, que naquele momento foi algo muito grande pra esquecer.
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