Cena Única:
(Dia desses no Parque Água Branca)
Um galpão abriga uma espécie de clube da 3ª idade. Aos sábados o forró pode ser ouvido ao longe no agradável parque da Zona Oeste.
É fascinante passar pela entrada do “clube” e ver casais de senhores e senhoras remexendo, paquerando, aproveitando a fase da vida.
Passando pelo galpão, a caminho da saída do parque, um senhor é atendido por bombeiros, à espera de uma ambulância.
Fecha a cortina.
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Admirável a vitalidade e a alegria de senhores e senhoras da dita “melhor idade”, isso é indiscutível.
O que este blog coloca em pauta são os símbolos que circundam esta fase da vida. Os termos “terceira idade”, “melhor idade” ou algo que o valha abrange uma realidade simbólica, teorizada por um tcheco chamado Ivan Bistrina. Para ele existem duas realidades: a primeira física, fisiológica. Dos corpos, da matéria, que se deterioram. Da morte; a segunda realidade, que é simbólica, que nos transporta para além do corpo físico, e que vence a morte.
Deste ponto de vista, chamar senhores e senhoras de “melhor idade” é vencer pelos símbolos a realidade física, enchendo de significados a parte final do misterioso ciclo da vida.
Funciona, sem dúvidas. Precisamos disso. Imagino que não somos capazes de viver sem os símbolos. Mas, invariavelmente, um dia a 1ª realidade cobra seu preço.