Cavocando vídeos no youtube, encontro uma curiosa entrevista.
Carnaval de 1991, desfile da Unidos da Tijuca. A reporter entrevista uma foliã da ala das baianas.
- Eu não gosto de perguntar a idade, mas a senhora parece muito conservada...
- É...
- Quantos anos a senhora tem?
- 43!
- Ah, 43??? Tá com toda...garra ae...
Da próxima vez diga "a senhora parece muito acabada", ou simplesmente evite a entropia e não fale merda...
Como diria meu guru, na comunicação menos é sempre mais.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
ATRAVESSANDO O SAMBA
O que João Kleber e Escolas de samba têm em comum?
Me lembro de assistir ao programa do “humorista” com a noção de que os testes de fidelidade ficavam mais pesados a cada semana. A explicação grosseira é que as pessoas buscariam sempre mais do conteúdo desses testes. Numa semana elas já viram o cara trair a mulher com um beijo na boca, agora elas querem mais. Tirar a camisa? Meu Deus! Ficar só de lingerie? Impensável. No final, o programa chegava ao limite das possibilidades legais para o horário e o canal. Apelo visual. Imagens que não vinculavam, apenas curavam uma carência momentânea. Por ser superficial, precisávamos de mais. E João Kleber não podia oferecer mais. Foi embora para Portugal.
Com o samba acontece uma saturação parecida, porém sonora. Agora a lembrança é do carnaval de 1993. O Salgueiro, tradicional escola de samba carioca, botava a Sapucaí abaixo com o samba “Peguei um Ita no Norte”, conhecido vulgarmente como “Explode Coração”. Você já ouviu esse samba algum dia na sua vida, confesse!
É notável como esse samba-enredo foi um divisor de águas na festa carioca. A partir dele, as escolas começaram a apelar mais e mais para os refrões fáceis, para as baterias aceleradas e para as letras que “pegam”. Mas o fato é que as letras não pegam, e as imagens fáceis do samba não colam mais. O motivo é muito simples: quem vai à Sapucaí male-male fala português. Apelar para o fácil, para o superficial, no afã de angariar foliões pula-pula é uma péssima idéia, como foi a de João Kleber.
O carnaval virou imagem. Pior que isso, virou produto. Ou voltamos a fazer um carnaval vinculador, democrático, que respeite os ritmos e as melodias dolentes, ou exportamos o espetáculo para Portugal. Sabe-se lá por que, eles ainda conseguem consumir parte de nosso lixo midiático.
Me lembro de assistir ao programa do “humorista” com a noção de que os testes de fidelidade ficavam mais pesados a cada semana. A explicação grosseira é que as pessoas buscariam sempre mais do conteúdo desses testes. Numa semana elas já viram o cara trair a mulher com um beijo na boca, agora elas querem mais. Tirar a camisa? Meu Deus! Ficar só de lingerie? Impensável. No final, o programa chegava ao limite das possibilidades legais para o horário e o canal. Apelo visual. Imagens que não vinculavam, apenas curavam uma carência momentânea. Por ser superficial, precisávamos de mais. E João Kleber não podia oferecer mais. Foi embora para Portugal.
Com o samba acontece uma saturação parecida, porém sonora. Agora a lembrança é do carnaval de 1993. O Salgueiro, tradicional escola de samba carioca, botava a Sapucaí abaixo com o samba “Peguei um Ita no Norte”, conhecido vulgarmente como “Explode Coração”. Você já ouviu esse samba algum dia na sua vida, confesse!
É notável como esse samba-enredo foi um divisor de águas na festa carioca. A partir dele, as escolas começaram a apelar mais e mais para os refrões fáceis, para as baterias aceleradas e para as letras que “pegam”. Mas o fato é que as letras não pegam, e as imagens fáceis do samba não colam mais. O motivo é muito simples: quem vai à Sapucaí male-male fala português. Apelar para o fácil, para o superficial, no afã de angariar foliões pula-pula é uma péssima idéia, como foi a de João Kleber.
O carnaval virou imagem. Pior que isso, virou produto. Ou voltamos a fazer um carnaval vinculador, democrático, que respeite os ritmos e as melodias dolentes, ou exportamos o espetáculo para Portugal. Sabe-se lá por que, eles ainda conseguem consumir parte de nosso lixo midiático.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
MINISTRY OF SILLY THESIS
Minister
Good morning. I'm sorry to have kept you waiting, but I'm afraid my thesis has become rather sillier recently, and so it takes me rather longer to get to work. Now then, what was it again?
Man
Well sir, I have a silly thesis and I'd like to obtain a Government grant to help me develop it.
Minister
I see. May I see your silly thesis?
Man
Yes, certainly, yes.
…LATER…
Minister
That's it, is it?
Man
Yes, that's it, yes.
Minister
It's not particularly silly, is it? I mean, the semiotic analysis isn't silly at all and the methodological approach merely does a forward aerial half turn every alternate step.
Man
Yes, but I think that with Government backing I could make it very silly.
Minister
Mr Pudey, the very real problem is one of money. I'm afraid that the Ministry of Silly Thesis is no longer getting the kind of support it needs. You see there's Defense, Social Security, Health, Housing, Education, Silly Walks ... they're all supposed to get the same. But last year, the Government spent less on the Ministry of Silly Thesis than it did on National Defence. Now we get £348,000,000 a year, which is supposed to be spent on all our available products. Coffee?
Man
Yes please.
--------------------
Post dedicado ao colega professor Luis Mauro Sá Martino que, nas horas vagas (vai ver ele sabe o que é isso) cuida do blog www.alquimiadoverbo.com.br uma rara mistura de filosofia, comunicação, neuroses cotidianas, chás e uma pitada de homesick com sotaque britânico.
Não daria pra usurpar um quadro do Monty Python sem citar o ilustre professor.
Good morning. I'm sorry to have kept you waiting, but I'm afraid my thesis has become rather sillier recently, and so it takes me rather longer to get to work. Now then, what was it again?
Man
Well sir, I have a silly thesis and I'd like to obtain a Government grant to help me develop it.
Minister
I see. May I see your silly thesis?
Man
Yes, certainly, yes.
…LATER…
Minister
That's it, is it?
Man
Yes, that's it, yes.
Minister
It's not particularly silly, is it? I mean, the semiotic analysis isn't silly at all and the methodological approach merely does a forward aerial half turn every alternate step.
Man
Yes, but I think that with Government backing I could make it very silly.
Minister
Mr Pudey, the very real problem is one of money. I'm afraid that the Ministry of Silly Thesis is no longer getting the kind of support it needs. You see there's Defense, Social Security, Health, Housing, Education, Silly Walks ... they're all supposed to get the same. But last year, the Government spent less on the Ministry of Silly Thesis than it did on National Defence. Now we get £348,000,000 a year, which is supposed to be spent on all our available products. Coffee?
Man
Yes please.
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Post dedicado ao colega professor Luis Mauro Sá Martino que, nas horas vagas (vai ver ele sabe o que é isso) cuida do blog www.alquimiadoverbo.com.br uma rara mistura de filosofia, comunicação, neuroses cotidianas, chás e uma pitada de homesick com sotaque britânico.
Não daria pra usurpar um quadro do Monty Python sem citar o ilustre professor.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
O RETRATO DE RONALDO GRAY
Ronaldo vendeu a alma ao diabo. Pintou em aquarela sua imagem de perfeição e expôs para o mundo todo, deixando seu corpo livre para o deleite dos pecados capitais. Como num “Retrato de Dorian Gray” às avessas, o corpo de Ronaldo sentiu as chagas dos exageros da imagem. O ídolo só conseguia sobreviver como imagem.
Agora na sua aposentadoria, a imagem vai tentar sensibilizar os abutres sedentos de sangue sobre seu corpo que padece. Talvez cole, pois a imagem ainda é admiravelmente imaculada, mas o corpo de Dorian Ronaldo Gray está sofrendo. E só ele pode sentir isso. O diabo sempre cobra seu preço.
Agora na sua aposentadoria, a imagem vai tentar sensibilizar os abutres sedentos de sangue sobre seu corpo que padece. Talvez cole, pois a imagem ainda é admiravelmente imaculada, mas o corpo de Dorian Ronaldo Gray está sofrendo. E só ele pode sentir isso. O diabo sempre cobra seu preço.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
FORFAIT
Uma vez eu estava na USP assistindo uma aula da Pós-Graduação na Escola de Comunicação e Artes. A aula era do professor Massimo di Felice, italiano e sociólogo, que estuda relações na web sob um olhar antropológico. Sem entrar em detalhes sobre suas aulas, uma coisa que me chamou a atenção no professor foi seu conceito sobre aulas e, principalmente, salas de aula. De forma superficial apenas digo que di Felice é contra a sala de aula da forma que ela é disposta. Tentamos por vezes fazer nossas aulas em cafés ou mesmo nos mal cuidados jardins da ECA.
Somente depois disso eu entrei profissionalmente na sala de aula e isso sempre me perseguiu. Numa sala de aula não se vomita conteúdo, não se forma profissionais, mas se constrói conteúdo.
Sabemos que não é isso que acontece. Andamos de Metrô e esbarramos com propagandas de faculdades que formam profissionais vencedores. Uma faculdade que vende a chance de partilhar conhecimento morre de fome. A formação está ali, prontinha, no forfait, esperando pelo consumo.
Fico pensando qual seria a opinião do professor di Felice. Para sorte dele e azar dos alunos, ele está produzindo na USP, protegido do mercado. Enquanto isso aqui fora tentamos sobreviver, engolindo o orgulho e preparando o forfait. O peixe está estragando, mas é preciso vendê-lo assim mesmo.
Somente depois disso eu entrei profissionalmente na sala de aula e isso sempre me perseguiu. Numa sala de aula não se vomita conteúdo, não se forma profissionais, mas se constrói conteúdo.
Sabemos que não é isso que acontece. Andamos de Metrô e esbarramos com propagandas de faculdades que formam profissionais vencedores. Uma faculdade que vende a chance de partilhar conhecimento morre de fome. A formação está ali, prontinha, no forfait, esperando pelo consumo.
Fico pensando qual seria a opinião do professor di Felice. Para sorte dele e azar dos alunos, ele está produzindo na USP, protegido do mercado. Enquanto isso aqui fora tentamos sobreviver, engolindo o orgulho e preparando o forfait. O peixe está estragando, mas é preciso vendê-lo assim mesmo.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
REVIRANDO AS CINZAS
Hoje acordei com uma notícia que mexeu com meu dia. No Rio de Janeiro ardia em chamas quatro barracões da Cidade do Samba. Enquanto a mídia abutre sugava desinformações e incomunicações do alto dos helicópteros, um longo filme passava em minha cabeça.
Em meados da década de 90 eu era um fervoroso seguidor do carnaval carioca. Tirava da festa popular elementos de música e arte que me atraíam muito. O espetáculo não interessava. Tinha que sair tudo perfeito. A visão era técnica. Amadora, mas técnica. Características de cada bateria, estilos de cada carnavalesco, podres de cada presidente. Eu era uma enciclopédia amadora do carnaval carioca. Sambas da década de 1970? Eu sabia. Quase como um analista esportivo, que tenta esconder suas preferências.
Acontece que o carnaval (e isso nem todo mundo percebe) é música, batida, cores, multidão. Quando o samba-enredo entra em suas veias e constrói parte do seu passado, daquilo que você é hoje, não é mais possível esconder uma paixão por trás de vergonhas ou pretensas posições analistas. Cresci ouvindo samba-enredo e ponto.
Por isso dói tanto esse fogo nos barracões. Acontece que, ao lado da dor vêm as dúvidas. Afinal, o que querem as pessoas com o carnaval?
Digo sem medo de errar que muitos, mas muitos mesmo querem dinheiro, fama e sexo. Aquela tríade que atrai milhares. Poderia partir para o politicamente correto e dizer que a comunidade, ela sim está interessada na festa. Não sejamos hipócritas. Na comunidade também existe desejo pela “tríade”, sem contar aquele ímpeto em fazer a festa e se acabar nos estados alterados de consciência (nada contra, diga-se de passagem).
Na hora da desgraça, entre urubus, jornalistas, curiosos, mafiosos, festeiros e sambistas é difícil dizer quão tristes estão todos. Não imagino até que ponto tal fatalidade afetou suas vidas. Posso dizer pela minha. A arte e a música padecem. O mais profundo espírito de comunidade tem tudo para ressurgir das cinzas, como uma fênix, que é um clichê, como adoram os carnavalescos.
Em meados da década de 90 eu era um fervoroso seguidor do carnaval carioca. Tirava da festa popular elementos de música e arte que me atraíam muito. O espetáculo não interessava. Tinha que sair tudo perfeito. A visão era técnica. Amadora, mas técnica. Características de cada bateria, estilos de cada carnavalesco, podres de cada presidente. Eu era uma enciclopédia amadora do carnaval carioca. Sambas da década de 1970? Eu sabia. Quase como um analista esportivo, que tenta esconder suas preferências.
Acontece que o carnaval (e isso nem todo mundo percebe) é música, batida, cores, multidão. Quando o samba-enredo entra em suas veias e constrói parte do seu passado, daquilo que você é hoje, não é mais possível esconder uma paixão por trás de vergonhas ou pretensas posições analistas. Cresci ouvindo samba-enredo e ponto.
Por isso dói tanto esse fogo nos barracões. Acontece que, ao lado da dor vêm as dúvidas. Afinal, o que querem as pessoas com o carnaval?
Digo sem medo de errar que muitos, mas muitos mesmo querem dinheiro, fama e sexo. Aquela tríade que atrai milhares. Poderia partir para o politicamente correto e dizer que a comunidade, ela sim está interessada na festa. Não sejamos hipócritas. Na comunidade também existe desejo pela “tríade”, sem contar aquele ímpeto em fazer a festa e se acabar nos estados alterados de consciência (nada contra, diga-se de passagem).
Na hora da desgraça, entre urubus, jornalistas, curiosos, mafiosos, festeiros e sambistas é difícil dizer quão tristes estão todos. Não imagino até que ponto tal fatalidade afetou suas vidas. Posso dizer pela minha. A arte e a música padecem. O mais profundo espírito de comunidade tem tudo para ressurgir das cinzas, como uma fênix, que é um clichê, como adoram os carnavalescos.
MARKETING SEM CHÃO
Hoje, na fila do McDonald's.
- Boa tarde, um delicioso McTasty hoje?
- Por que? está em promoção?
- Não, senhor.
- Eu quero um número 6 e uma torta de banana.
É sempre bom ter a chance de escolher sozinho o que estou com vontade de comer.
Legal seria um gerente de marketing de bonezinho, touca e cara de tacho do lado de trás do balcão.
que venha 2011!!!
- Boa tarde, um delicioso McTasty hoje?
- Por que? está em promoção?
- Não, senhor.
- Eu quero um número 6 e uma torta de banana.
É sempre bom ter a chance de escolher sozinho o que estou com vontade de comer.
Legal seria um gerente de marketing de bonezinho, touca e cara de tacho do lado de trás do balcão.
que venha 2011!!!
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