Uma vez eu estava na USP assistindo uma aula da Pós-Graduação na Escola de Comunicação e Artes. A aula era do professor Massimo di Felice, italiano e sociólogo, que estuda relações na web sob um olhar antropológico. Sem entrar em detalhes sobre suas aulas, uma coisa que me chamou a atenção no professor foi seu conceito sobre aulas e, principalmente, salas de aula. De forma superficial apenas digo que di Felice é contra a sala de aula da forma que ela é disposta. Tentamos por vezes fazer nossas aulas em cafés ou mesmo nos mal cuidados jardins da ECA.
Somente depois disso eu entrei profissionalmente na sala de aula e isso sempre me perseguiu. Numa sala de aula não se vomita conteúdo, não se forma profissionais, mas se constrói conteúdo.
Sabemos que não é isso que acontece. Andamos de Metrô e esbarramos com propagandas de faculdades que formam profissionais vencedores. Uma faculdade que vende a chance de partilhar conhecimento morre de fome. A formação está ali, prontinha, no forfait, esperando pelo consumo.
Fico pensando qual seria a opinião do professor di Felice. Para sorte dele e azar dos alunos, ele está produzindo na USP, protegido do mercado. Enquanto isso aqui fora tentamos sobreviver, engolindo o orgulho e preparando o forfait. O peixe está estragando, mas é preciso vendê-lo assim mesmo.
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