Apesar dos problemas da vida, não posso negar que já tive o privilégio de, como muitos de nós, viver e experimentar coisas bacanas. Acho importante valorizar e reconhecer isso.
Contudo, por vezes parece que algo muito rico escorre por nossos dedos, ou passa incólume por nossos olhos, como queiram. Eu digo que vivi isso pelo menos duas vezes de forma consciente.
A primeira foi no fim de 2008 em Londres (chique né) numa manhã fria dentro do British Museum (culto né?) no augusto salão de Antropologia. Um sem número de livros e artefatos de várias regiões do mundo. Seria um mergulho fascinante na história dos estudos antropológicos. Seria, se eu estivesse preparado para entender boa parte daquilo. Saí frustrado, mas com a promessa de voltar um dia para prestigiar apenas aquela seção.
A segunda, na verdade ainda me passa na frente dos olhos e não sei como lidar. Explico:
No meu prédio mora W., de aproximadamente 40 anos de idade. Portador de uma deficiência mental, W. passa boa parte do dia no hall de entrada do prédio pregando malefícios dos maus hábitos, os perigos das forças da natureza e o problema da morte iminente. Eu tenho certeza que seria fantástico tentar interagir de forma mais atenta com W., mas essa oportunidade ainda não chegou...até lá eu vou vendo a riqueza da comunicação e da loucura passando na frente do meu nariz...
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