Outro dia na sala de aula uma aluna me perguntou:
“Professor, o senhor fala inglês?”
“Ah, de certa forma...por que?”
“Por que um professor nos disse que nós precisamos falar inglês fluentemente.”
O bacana dessa pergunta é justamente refletir sobre o que é, ou o que deveria ser considerado inglês fluente.
Nas escolas de idiomas (fundo de quintal ou subsidiada por governos) aprende-se o tal “inglês instrumental”. Como pedir um café, como orientar-se nas ruas, como reservar um quarto de hotel. Contudo, nas visionárias empresas nos exigem um nível “fluente” de inglês. Está aí o conflito: o que é ser fluente? De que adianta aprender a reservar quarto de hotel? Para que eu vou usar o inglês no meu emprego? Eu vou usar o inglês no meu emprego?
Bem entendido, excluo deste comentário os cargos que envolvam negociações com estrangeiros ou qualquer tipo de contato permanente com unidades além-mar. Nos empregos “ordinários”, o inglês desponta aparentemente apenas como um diferencial. Para não nos selecionar pela cor de nossos olhos, adotam-se critérios mais aceitáveis, como segunda língua e outras certificações.
Você não fala inglês? Vá aprender! Por que? Não sei exatamente. Aprenda a pedir café e um cheeseburger. Com sorte a maquininha de bebidas quentes da cafeteria da empresa não estará em português.
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