quinta-feira, 29 de abril de 2010

COTIDIANO SEM CHÃO (PARTE 3)

Local: Gráfica perto da Paulista.

Cliente: Oi, eu vim pegar meu cartaz que ficou pronto ontem, mas deu problema.

Atendente: Claro, você lembra com quem você falou ontem?

Cliente: Ah, era um...moreninho...

Atendente: Certo, o R...


O mesmo R. que me atendia e que estava nos fundos da loja resolvendo minhas impressões. Um homem negro. Como ficaria esse mesmo diálogo numa gráfica carioca?


Cliente: Oi, eu vim pegar meu cartaz que ficou pronto ontem, mas deu problema.

Atendente: Claro, você lembra com quem você falou ontem?

Cliente: Ah, é o crioulo que trabalha aí

Atendente: Certo, o R...


E aí? muito pesado? muito leve em São Paulo?

De uma forma ou de outra o diálogo verdadeiro mostrou uma coisa: o preconceito está dentro do coração das pessoas, mesmo de forma inconsciente. E, às vezes, tentar disfarçar só piora a coisa...

Um comentário:

  1. Eu sinceramente acho que em muitas vezes o preconceitos reside na vergonha que as próprias pessoas têm. Existem casos SIM de pessoas que se ofenderam porque foram chamados de negros, japoneses, pardos. Talvez estejam tão acostumadas com os pejorativos "neguinho", "japa" e "pardá" que nem saibam mais diferenciar uma ofensa de uma característica. Aliás, dizer que para branco não existe é bobagem: "gordo", "narigudo", "careca", "toco de vela" estão aí pra isso. E vamos convir que em alguns casos, uma mulher chamar um cara de "negão" pode ser até elogio. Preconceito? É sim - então aproveite!

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