quinta-feira, 13 de maio de 2010

TERCER MUNDO SONORO

Pegar Metrô em São Paulo num fim de tarde é algo consideravelmente sem chão. Quando possível, o ideal é adiar a volta para casa e tentar chegar com um pouco mais de dignidade. O problema é que às vezes a vida nos obriga a certos esforços.

Não basta o aperto, os empurrões, “usuários” que furam fila, saltam da escada na plataforma, impedem o fechamento da porta. O que completa o cenário de terceiro mundo num dos melhores metrôs do mundo (embora com pouca extensão) é a tensão de seu ambiente sonoro durante o horário de pico.

Uma composição elétrica rasgando a 60, 70Km/h um túnel estreito já é algo bastante barulhento. Uma aglomeração de cabeças e bocas colabora com o caldeirão. Mas o que surpreende é a falta de sensibilidade dos anúncios sonoros através dos auto-falantes. Recados imperativos dados em alto brado, como se competisse com o trem para ver quem faz mais barulho. “ATENCÃO, na impossibilidade de embarcar, aguarde o próximo trem”; “ATENÇÃO, não fiquem na região das portas”.

Tentando relevar os esforços de organização do Metropolitano, a falta de educação do brasileiro, diversas carências sociais que estão escondidas nesses fenômenos, fica a reflexão: Por que gritamos tanto?

Quem for obrigado a viver essa situação na hora do rush, sugiro que reparem como o ambiente fica mais tenso no momento em que a tal SSO explode em broncas vindas do “além”.

Um de cada vez...todos nós entraremos no trem...

2 comentários:

  1. Meu caro amigo europeu, você esqueceu de um instrumento MUITO importante nesta orquestra: celulares com MP3 integrado que tocam as maiores atrocidades musicais, indo do clássico funk, passando pelo axé e chegando até o gospel. É nestes momentos que ouvir uma doce voz dizendo: "ESTAÇÂO TIETE, ACESSO AO TERMINAL RODOVIARIO!!!!" na sua orelha não parece mais ser uma idéia tão ruim. Como já diziam, "é melhor ser surdo que ouvir isso".

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  2. Meu caro Rodrigo,
    a estridência muitas vezes pode não estar só nos sistemas de som, mas na atitude das pessoas que se aboletam pelos becos e querem todas estarem ao mesmo lugar, no mesmo tempo e se esquecem que o bom senso resolveria tudo isso. Em qualquer lugar tupiniquim, seja em pequenas cidades ou em metrópoles a situação se repete. Como sempre digo: O mundo acabou e ninguém me avisou. Dexeui!

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