terça-feira, 27 de julho de 2010

O SILÊNCIO DE JOHN CAGE

Compartilho uma tradução livre que fiz de um vídeo disponível no youtube com o saudoso John Cage dando suas impressões sobre o som, ou melhor, sobre o silêncio. Esta tradução foi feita para um seminário na Faculdade Cásper Líbero e foi, portanto, adaptada. Então não estranhem se houver alguma incoerência.

segue o link http://www.youtube.com/watch?v=pcHnL7aS64Y


...e a tradução deste antropólogo de araque...

"Quando escutamos o que chamamos de música, parece que alguém está falando. E falando sobre seus sentimentos, ou sobre suas idéias de relacionamento.

Mas quando ouvimos o som do tráfego, aqui na 6a. Avenida, não tenho o sentimento que alguém está falando. Apenas parece que o som está agindo.

Eu adoro a atividade do som. Ele pode tornar-se mais alto, ou mais baixo, mais curto, mais longo. Ele faz tudo isso, e eu fico absolutamente satisfeito.

Eu não preciso que o som fale comigo. Falo apenas de som, que não significa nada. Não é internalizado, mas externalizado.

E as pessoas perguntam 'então você quer dizer que são apenas sons?' pensando que por ser apenas um som, deve ser inútil.

Eu amo os sons. Do jeitinho que eles são. E eu não quero que eles sejam nada mais. Não quero que eles sejam psicológicos, não quero que eles finjam que são importantes, que são presidentes, ou que eles estejam apaixonados por outros sons.

Eu também não sou tão estúpido. Havia um filósofo muito conhecido, Immanuel Kant, que disse que há duas coisas que não precisam de significado. Uma é a música, a outra a risada.

Elas apenas precisam apenas nos dar muito prazer.

A experiência sonora que eu mais gosto é a experiência do silêncio. E este silêncio em quase qualquer lugar do mundo hoje é tráfego. Se você escuta Mozart ou Beethoven, você percebe que eles são sempre os mesmos. Se você escuta o tráfego, você percebe que eles são sempre diferentes".


Em homenagem ao blog http://www.carlafiore.blogspot.com/

Um comentário:

  1. Rodrigo,
    este foi o silêncio mais ruidoso que ouvi, li e pensei sobre.
    John Cage sempre muito contestador e atestador.
    Para complementá-lo, nada melhor do que a frase de Kant, de quem estudei algumas aplicabilidades colaborativas:
    A música e a risada não precisam de significados.
    Mas, sempre significam muito.
    bom o blog e tô seguindo...
    É isso

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