quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O AEROPORTO E OS 5 SENTIDOS


O Aeroporto é um lugar de passagem. Um não-lugar. Não habitamos no aeroporto, pois lá não fincamos raízes simbólicas. É um espaço sem memória, sem afetividade.

Este blog se arrisca a dar alguma afetividade a um lugar tão acostumado aos tumultos, às despedidas, à falta de limpeza, mas também às expectativas e alegrias individuais e de grupos.

Costumo dizer que aeroporto tem cheiro de café pisado. As portas automáticas se abrem e logo o cheiro do viciante pó preto nos puxa para dentro de uma atmosfera artificial, de aparelhos de ar condicionado que, imaginamos, nunca viram uma limpeza. Milhares de corpos de toda a sorte circulam, olhares perdidos, como que querendo estar o quanto antes longe de lá.

Destacado da arquitetura sisuda, o brilhante painel mostra quem chega e quem parte, funcionando como um motor que faz circular sem cessar o fluxo dos corpos pelo não-lugar.

Se os corpos não param, como vinculá-los? Como se vincular ao aeroporto?

Meu relato pessoal:

Década de 1980 no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Visitas raras ao aeroporto na infância eram um ritual aguardado com ansiedade. Do alto do segundo andar, o restaurante guardava generosas janelas com vista para o pátio, as pistas e o mar. Era um restaurante minimamente requintado (o que explicava as raras visitas), o que não fazia diferença para uma criança de 5 anos.  O sabor do pãozinho com manteiga aperitivo (aquela manteiga em bolinhas no recipiente de prata), do suco de laranja e aquela vista. O som das turboélices do Electra II da Varig, que assobiavam e empurravam a aeronave até ela se perder atrás das montanhas do Pão-de-Açúcar.

Sobre toda a confusão do fluxo de corpos, um lugar se fazia...cheio de significados, pleno de sentidos e apontando todo um universo a um dia ser descoberto.

Se vocês soubessem como é bom o cheiro de café pisado...

Um comentário:

  1. Só digo uma coisa: espero sentir esse cheiro muitas vezes com você <3 <3 <3
    Beijos

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