segunda-feira, 16 de novembro de 2009

GERALDINOS E ARQUIBALDOS

Torcer para um time de futebol é algo rigorosamente sem chão.

Pois vejamos. Existem vários tipos de torcedores. Apenas num esforço mental vamos tentar classificar alguns deles:

Sofá com amendoim:
Espécie interessante. Muitas vezes acompanha os noticiários esportivos no jornal e nas mídias eletrônicas. Está preocupado em saber quem está machucado, suspenso e se o atacante fez gol nos treinamentos. Pouco importa esquema tático e essas chatices de jornalista sabichão. Durante o jogo, preocupa-se em pegar no pé de um jogador, geralmente o mesmo de todas as partidas, não importa o quão bem ou mal ele jogue. Assina o PPV e adora chamar os vizinhos e parentes para um semi-círculo em volta da TV LCD. Geralmente se diz torcedor fanático.

Social:
São os torcedores de mentirinha. Dizem que torcem para um time para que não fiquem muito deslocados nas conversas de Happy Hour. Para a sorte dessa classe, a maioria dos grandes times costuma manter em seu plantel um mesmo jogador no gol durante anos, o que facilita a vida e a memória do torcedor social. Quando questionado sobre a colocação do seu time, o torcedor social sabe que deve dar a resposta padrão: “está alí brigando pela Libertadores”.

Boêmio:
O torcedor boêmio prefere deixar de assinar o PPV para usar a grana na conta do bar com telão. Essa classe costuma ter os melhores comentários e as sacadas mais engraçadas sobre os “detalhes” da peleja. Recomendo, a quem nunca foi, a experiência de acompanhar uma partida no bar com telão. Você vai aprender coisas que nunca poderia imaginar sobre futebol. Fica a dica. Ah, e não saia mais cedo, pois é justamente aos 43 do segundo tempo, que o camarada boêmio está nas melhores das condições para tecer comentários abalizados e perspicazes.

Supersticioso:
Talvez o mais curioso dos torcedores de futebol, o supersticioso é o último a assumir sua posição. Na verdade, ele só não quer dar mole pro azar. “Eu sei que é bobagem sentar sempre todo mundo no mesmo lugar do sofá, mas pra que arriscar, não é?”. O supersticioso começa geralmente como um torcedor descrente. Ao invés da visão crítica para analisar a melhora do seu time, o torcedor prefere buscar na memória qual foi o adereço, fato, ou lugar que fez, aí sim, seu time subir na tabela. Uma derrota em casa já é suficiente para que o “pé-de-coelho” seja sumariamente descartado.

Eventual:
Seu time está ganhando? “OLÊ OLÊ, EU SOU *** ATÉ MORRER!!!”. Seu time está perdendo? “ah, eu já não acompanho mais futebol. Perdeu a graça, sabe?”. Esse tipo de torcedor geralmente tem uma piada de político na manga para fugir de eventuais saias justas em conversas de padaria, principalmente às segundas-feiras. O movimento dos eventuais é sentido também nos estádios, quando a média de público do time que lidera a tabela sobe acima da média. Talvez seja o tipo mais irritante de torcedor. Podemos sugerir que é do tipo que vai assistir jogo do Brasil no estádio e começa a vaiar na primeira bola chutada por cima do gol.

Rato de arquibancada:
O terror das famílias e amigos, o rato de arquibancada não tem fim de semana. Aliás, muitas vezes ele também não tem dias durante a semana. Perde horas da vida em intermináveis filas por ingressos (culpa da bela organização do futebol tupiniquim), se aperta em trens, ônibus e metrô, toma geral de polícia, não abre mão de uma gelada antes de entrar no estádio e já cansou de sair do estádio pensando “nunca mais eu volto”...e semana seguinte está lá o rato novamente. É sem dúvida o tipo mais admirável de torcedor, que conhece o time, que tatua o escudo nas costas, que não titubeia quando colocado contra a parede: “ou o futebol ou eu”. O futebol, claro. Esse sabe as músicas de cor e não dá bom dia na segunda-feira quando seu time perde. Geralmente é pouco tolerado por um torcedor eventual.

Distante:
Também conhecido como torcedor imigrante. Sofre com o rompimento geográfico com sua equipe. Quando esse distanciamento acontece na infância, a experiência pode ser traumática, levando o jovem a virar casaca e torcer para um time de sua terra adotiva. Alguns dos pontos negativos em ser um torcedor distante é a falta de pessoas com quem tirar sarro quando seu time vence um clássico regional. Esse torcedor acaba, por conta própria, assumindo rivalidades que muitas vezes nem são reconhecidas pela imprensa e pela massa, mas apenas confronta seu time de berço com um que ele foi obrigado a conviver.

Na verdade, isso foi apenas uma brincadeira para mostrar que é possível torcer de diversas formas. Me arrisco a dizer que nenhuma pobre alma brasileira está imune ao contato social com o futebol. Assim, todos acabam assumindo uma posição de torcedor.

E qual é a sua???

...calma, um de cada vez...

Nenhum comentário:

Postar um comentário