sexta-feira, 26 de março de 2010

QUANTO VALE UM CONSELHO?

Se meter na vida dos outros é algo demasiadamente sem chão. Acontece que há certos momentos em que somos incentivados a cometer tal crime. E aí quem consegue se segurar? Como diria o outro, imagine um coelho que tome a espingarda do caçador, atire na própria cabeça e caia no colo de um perplexo predador.

Ocorre algo parecido quando nos pedem conselhos. É a carta branca para invadirmos a vida alheia e para semearmos a discórdia. Afinal, onde houver fé que eu leve a dúvida.

O interessante é que, a cada conselho que damos, parece que tentamos resolver nossos próprios problemas. A minha impressão é que matamos nos outros nossos fantasmas. Se um amigo pede sua opinião sobre com qual das duas mulheres ele deve ficar, você prontamente sugere que ele fique com as duas. Ora, afinal é a atitude que você tomaria, claro. Se aquela garota não sabe se termina o namoro ou não, a primeira vontade é dizer sim. Oba, mais uma solteira na balada. E o melhor, está carente.

Parece que brincamos de escritor. Criamos os personagens, pensamos na trama e somos inconsequentes com relação ao desfecho. Afinal, sabemos que não vamos sofrer com a dor do personagem. Não importa o quanto a gente goste de alguém. A dor do seu amigo é a dor do seu amigo. Mesmo que você sofra com isso, a dor é sua. É diferente.

Fica aqui o convite para a reflexão. Quando damos conselhos, com o que nos preocupamos? Com o problema do amigo? Com a felicidade do amigo? Com nossos próprios problemas?

E você? Quantas novelas já escreveu?

Um comentário:

  1. Onde houver fé, que eu leve a dúvida. Bela frase do Falcão, grande pensador cearense, subvertendo a oração de São Francisco. Às vezes, a dúvida nos guia mais que a fé. Cadê 'sãos franciscos'? Por muitas vezes nos vemos obrigados a invadir a vida alheia por consentimento.

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