
Na foto acima vemos o símbolo da campanha “Trânsito Mais Gentil”. Apesar dos motivos nobres, não vejo eficácia neste tipo de campanha.
Por que, afinal, ser gentil no trânsito? O que é ser gentil no trânsito?
Seria o motorista gentil o oposto daqueles típicos ogros, estivadores em seus Voyage cinca-chumbo, com o vidro aberto, o braço peludo de fora, palavreados e gestualidades impublicáveis?
No lugar do Voyage cinza-chumbo, Renault, Peugeot, Honda, Hyundai, Toyota, etc. Insulfilm, travas elétricas, potentes aparelhos de som, GPS, DVD, “kit acalma-criança” (sic), bancos de couro (melhores que o sofá de casa), ar condicionado, entre outros opcionais que transformam seu meio de transporte numa extensão da sua casa.
Além do conforto, é importante cercar o castelo dos perigos e inconvenientes exteriores: pedintes, motoboys, lavadores de pára-brisas (e aquela garrafa PET cheia de uma água nojenta que você tem certeza de que foi pega na sarjeta para “lavar” os vidros do seu carro), flanelinhas, ambulâncias, ciclistas, pedestres apressados...
Estabelecem-se, portanto, dois mundos: aquele do motorista no conforto do lar e aquele do selvagem mundo exterior. E como esses mundos se comunicam? Através do monótono som das buzinas.
Agora, imaginem se ao invés do simples “bip”, nossas buzinas articulassem palavras.
Que interessante seria a comunicação dos dois mundos que citamos: BIP (Seu veículo na frente do meu atrapalha meu ritmo e arruína meu dia); BIP (Não adianta ter pressa, seu pedestre impertinente, ninguém mandou ser pobre e ter de andar de ônibus. Queria chegar a tempo? por que não saiu 3 horas antes?); BIP (Apesar de estar dando seta, me incomoda deveras o fato de você morar neste prédio e querer justo AGORA estacionar, ocupando toda a faixa da direita, que serve unicamente para a minha passagem)...
Mas se não gritamos nem mostramos o dedo do meio, estamos sendo gentis no trânsito. Parabéns para nós!
BEEP BEEP, YEAH!
C.Q.D, a extinção das buzinas é, pelo menos por hora, inviável.
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