terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A RESPOSTA QUE NÃO QUER CALAR


Ainda repercutindo o carnaval...




O desfile das Escolas de Samba é um ritual. Acontece todo ano, no mês de fevereiro, é organizado por comunidades “carentes” das grandes cidades do Brasil. Envolve música, batucada, cores, tecidos, estruturas gigantes, esculturas animadas e, principalmente, mobiliza milhares de pessoas numa espécie de comunidade virtual e provisória.

São mais de 70 mil pessoas que vão à Marquês de Sapucaí sincronizar seus corpos com outros 4 mil que atravessam 600 metros de avenida vestidos em costumes coloridos e pesados.

Só que, olhando para esse ritual, espalhando as imagens para milhões de outras pessoas, está a televisão. Ela que tem sua própria dinâmica de tempo e edição de imagem. Ela que traz aporte financeiro, como um grande mecenas da festa da carne.

Assim, o ritual dos corpos, dos sons e das músicas é dirigido, sincronizado, pelos horários publicitários da TV. 

Antes de novela e BBB, nada de ritual. Os desfiles só interessam a partir do momento em que o Grande Olho acompanha o desenvolvimento do enredo “ala-a-ala”.

É interessante notar que a TV vai buscar entre os 4 mil foliões a “emoção” para veicular em suas imagens encaixotadas. Não é difícil encontrá-la...mas também não interessa compartilhá-la.

Um integrante da comunidade, um estrangeiro, uma rainha de bateria desconhecida e apaixonada por carnaval, gaúchos, mineiros, paulistas, milhares de histórias pra contar. Nada disso interessa para a TV.

Repórter: qual é a sua emoção em desfilar por essa Escola?
Entrevistado: é muito grande...(corta)

Voltamos após os breaks comerciais.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário