Ainda repercutindo o carnaval...
O desfile das Escolas de Samba é
um ritual. Acontece todo ano, no mês de fevereiro, é organizado por comunidades
“carentes” das grandes cidades do Brasil. Envolve música, batucada, cores, tecidos,
estruturas gigantes, esculturas animadas e, principalmente, mobiliza milhares
de pessoas numa espécie de comunidade virtual e provisória.
São mais de 70 mil pessoas que
vão à Marquês de Sapucaí sincronizar seus corpos com outros 4 mil que atravessam
600 metros de avenida vestidos em costumes coloridos e pesados.
Só que, olhando para esse ritual,
espalhando as imagens para milhões de outras pessoas, está a televisão. Ela que
tem sua própria dinâmica de tempo e edição de imagem. Ela que traz aporte
financeiro, como um grande mecenas da festa da carne.
Assim, o ritual dos corpos, dos
sons e das músicas é dirigido, sincronizado, pelos horários publicitários da
TV.
Antes de novela e BBB, nada de ritual. Os desfiles só interessam a partir
do momento em que o Grande Olho acompanha o desenvolvimento do enredo “ala-a-ala”.
É interessante notar que a TV vai
buscar entre os 4 mil foliões a “emoção” para veicular em suas imagens
encaixotadas. Não é difícil encontrá-la...mas também não interessa
compartilhá-la.
Um integrante da comunidade, um
estrangeiro, uma rainha de bateria desconhecida e apaixonada por carnaval,
gaúchos, mineiros, paulistas, milhares de histórias pra contar. Nada disso
interessa para a TV.
Repórter: qual é a sua emoção em
desfilar por essa Escola?
Entrevistado: é muito
grande...(corta)
Voltamos após os breaks
comerciais.

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