Caminhar pelas ruas do Morumbi, além de fazer bem à saúde, é um exercício sem chão. Nos arredores da Avenida Morumbi os carros não desfilam, apenas passam, como se estivessem com pressa. Mas não se enganem com o clichê “Sãopauloéacidadequenãopara”. Os carros (luxuosos em sua maioria) não pertencem às ruas. Parecem temê-las. Então a quem pertence as ruas do bairro nobre de São Paulo?
No Morumbi, as pessoas também não pertencem às ruas. As calçadas estreitas e cobertas de vegetações hostis não me deixam mentir. Por trás dos altos muros, olhos eletrônicos vigiam cada movimento. Eles têm medo. O silêncio é parte da paisagem sinistra, das ostentações da riqueza em conjunto com o medo de se mostrar. Não me veja. Tema meus muros floridos. Invejem o ar europeu de minhas ruas.
A rua não é de ninguém. Apenas uma fronteira assustadora entre as fortalezas taciturnas. Uma passagem, um não-lugar. Vida tranqüila e rica apenas para as flores que brotam augustas no pé dos muros seguros.
Como diria aquela canção antiga:
Por que não deixa de tanta frescura e vem pra rua também?

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